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Vizualizar Versão Completa : Educação no Brasil e no mundo

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Lucas Santana dos Santos
03/06/2010, 21:36 H
Como esse é o meu primeiro post, eu queria primeiramente parabenizar o Gabriel pela iniciativa. Finança é um importante tópico e toda ajuda é bem vinda (ajuda ainda mais se você for um iniciante como eu).

Bom, eu gostaria de aproveitar o espaço para tecer alguns comentários sobre educação no Brasil. Mas primeriro alguns fatos que me levaram a chegar nas conclusões que cheguei. Moro nos EUA e me mudei na busca de melhores condições de estudo e trabalho. Cursei Ciências Biológicas em uma universidade federal no Brasil e atualmente sou aluno de doutorado em uma universidade americana. Desde aque ingressei no meu curso de graduação comecei a trabalhar com pesquisa científica.
Durante a minha experiência em laboratórios de pesquisa no Brasil me deparei com alguns fatos que me levaram a mudar do país. Primeiramente, os salários que são pagos a professores universitários e pesquisadores no Brasil são ridiculos, uma verdadeira mixaria. Segundo, as condições de trabalho são péssimas - quase todo reagente que se compra no país é importado, ou seja ganha-se em reais e gasta-se em doláres. Para piorar ainda mais a situação muitas vezes reagentes e equipamentos ficam retidos na alfandega o que causa imenso atraso na execução de projetos. É bom lembrar que muitos dos reagentes de pesquisa são extremamente sensíveis, necessitando condições especiais de armazenamento, condições nunca são preenchidas na alfandega o que várias vezes leva a perda desses produtos. O sistema de empregos das universidades também contribui para a baixa qualidade da pesquisa no Brasil. Professores federais - me refiro a esses porque infelizmente não existe pesquisa em universidades particulares no Brasil, com raras exceções - são empregados públicos, ou seja nunca são demitidos, assim grande parte desses se tornam profissionais incompetentes e acomodados já que não precisam produzir para manterem seus cargos. Outro ponto importante é o fato de que não há progressão de carreira em universidades publica, praticamente aposenta-se no mesmo cargo de ingresso (isso melhorou com algumas reformas, mas há um longo caminho a se percorrer). Quero deixar claro que também existem excelentes profissionais no Brasil. Nos EUA onde o sistema é diferente isso não acontece, os profissionais devem se manter atualizados e produtivos afim de garantirem seus cargos. Devido a tais condiçoes é quase que impossível para um pesquisador no Brasil competir com um nos EUA. Por isso é que no Brasil não há prêmios Nobels, por isso que as melhores universidades são americanas (ou em países onde há pesquisa de ponta). A pesquisa cientifica é uma das bases da educação de um país, é atraves dela que se desenvolve novos produtos e tecnologia além de ser a maneira mais efetiva de manter profissionais da area academica atualizados. Na minha opinião a educação é o pilar para uma sociedade melhor e infelizmente no Brasil ela tem muito o que melhorar..

Abraços,
Lucas

Evandro
03/06/2010, 22:02 H
Como esse é o meu primeiro post, eu queria primeiramente parabenizar o Gabriel pela iniciativa. Finança é um importante tópico e toda ajuda é bem vinda (ajuda ainda mais se você for um iniciante como eu).

Bom, eu gostaria de aproveitar o espaço para tecer alguns comentários sobre educação no Brasil. Mas primeriro alguns fatos que me levaram a chegar nas conclusões que cheguei. Moro nos EUA e me mudei na busca de melhores condições de estudo e trabalho. Cursei Ciências Biológicas em uma universidade federal no Brasil e atualmente sou aluno de doutorado em uma universidade americana. Desde aque ingressei no meu curso de graduação comecei a trabalhar com pesquisa científica.
Durante a minha experiência em laboratórios de pesquisa no Brasil me deparei com alguns fatos que me levaram a mudar do país. Primeiramente, os salários que são pagos a professores universitários e pesquisadores no Brasil são ridiculos, uma verdadeira mixaria. Segundo, as condições de trabalho são péssimas - quase todo reagente que se compra no país é importado, ou seja ganha-se em reais e gasta-se em doláres. Para piorar ainda mais a situação muitas vezes reagentes e equipamentos ficam retidos na alfandega o que causa imenso atraso na execução de projetos. É bom lembrar que muitos dos reagentes de pesquisa são extremamente sensíveis, necessitando condições especiais de armazenamento, condições nunca são preenchidas na alfandega o que várias vezes leva a perda desses produtos. O sistema de empregos das universidades também contribui para a baixa qualidade da pesquisa no Brasil. Professores federais - me refiro a esses porque infelizmente não existe pesquisa em universidades particulares no Brasil, com raras exceções - são empregados públicos, ou seja nunca são demitidos, assim grande parte desses se tornam profissionais incompetentes e acomodados já que não precisam produzir para manterem seus cargos. Outro ponto importante é o fato de que não há progressão de carreira em universidades publica, praticamente aposenta-se no mesmo cargo de ingresso (isso melhorou com algumas reformas, mas há um longo caminho a se percorrer). Quero deixar claro que também existem excelentes profissionais no Brasil. Nos EUA onde o sistema é diferente isso não acontece, os profissionais devem se manter atualizados e produtivos afim de garantirem seus cargos. Devido a tais condiçoes é quase que impossível para um pesquisador no Brasil competir com um nos EUA. Por isso é que no Brasil não há prêmios Nobels, por isso que as melhores universidades são americanas (ou em países onde há pesquisa de ponta). A pesquisa cientifica é uma das bases da educação de um país, é atraves dela que se desenvolve novos produtos e tecnologia além de ser a maneira mais efetiva de manter profissionais da area academica atualizados. Na minha opinião a educação é o pilar para uma sociedade melhor e infelizmente no Brasil ela tem muito o que melhorar..

Abraços,
Lucas

Eeee, não estou sozinho aqui :D

Não moro fora mas tenho opinião um pouco diferente da do amigo em alguns pontos.

O problema aqui é que muitos professores são reizinhos e vivem em seus castelinhos, usando a definição de um amigo meu. Há pouca integração, muuuuito ego e politicagem no meio acadêmico, isso somado ao que você disse de "indemissibilidade", deixa as coisas ruins, mas por ouro lado, nos EUA há uma caçada feroz pela publicação de artigos e isso eu acho que afasta um pouco o foco da pesquisa tornando-a competitiva demais.

Eu mudei um pouco meu ponto de vista depois de ter aula com um professor com visão oposta aos demais. O cara é um gênio, excelente professor, conhecedor de vários assuntos e é dos chamados "cultos". Mas, para vários outros professores, ele "não era e nada" pois tem poucas publicações, raros alunos trabalhando com ele e sem financiamento das entidades de fomento como os outros. Somado a isso, ele era sempre o do contra nas reuniões.

O ponto de vista dele em relação a patentes era: eu sou pago pra que ? fazer pesquisa, então, porque patentear o que eu spu pago pra fazer ? Universidades devem fazer ciência de base.

Somado a isso, sempre vejo algum "peixe grande" dizer que "publicamos X artigos em um ano, temos N patentes registradas, Z alunos de graduação e Y de pós".
Beleza, quantos destes artigos foram realmente úteis ? Quantas patentes foram licenciadas ? O quanto a formação dos alunos os qualifica pro mercado de trabalho ? E dos pós graduandos, quantos vão de fato exercer o que aprenderam e ter os méritos por isso ?

..

Em contrapartida, não tem como comparar o nível entre uma boa pública e uma destas particulares "1,99", não chega nem a 25% de paridade, mas ambos são diplomados da mesma forma..

Ah, tem gente MUITO boa que é formada em particular e tem gente MUITO ruim que se forma em pública, mas em linhas gerais, os "pré" conceitos são válidos, infelizmente.

E ainda me aparecem os tais sistemas de cotas..

Lucas Santana dos Santos
04/06/2010, 15:08 H
Acho que a discussão vai ser boa! :)

Concordo que o ego é um problema grave na ciência. Eu fui vítima disso, tive um cientista famoso como orientador. Ele era um sujeito bem inteligente mas no final acabei saindo do laboratório - não havia discussão o cara é o dono da verdade. Para mim ciência e discussão devem andar juntas.
É verdade que nos EUA as competição é feroz e que isso tem seu lado ruim - pode gerar stress. Mas também acho que a competição ajuda, não acho que ela tira o foco, pelo contrário acho que ela ajuda. Afinal, o que uma pessoa desfocada publica?

Em relação as publicações e números de alunos. É necessário que haja uma maneira de medir a capacidade do profissional. Imagine que você quer contratar um professor, e há vários candidatos para aquela vaga mas você não conhece nenhum deles. Como você pode avalia-lós? Artigos em jornais revisados por pares, números de alunos, números de revisões de artigos são as melhores maneiras. Não basta ser inteligente, política e contatos também são importantes na ciência.

Discordo que universidades devem só fazer pesquisa de base. Acho que há espaço para as duas coisas. Por exemplo, é comum nos EUA as pesquisas aplicadas e muitas das vezes um cientista colabora com médicos para desenvolver algo voltado para clinica. Isso falta e muito no Brasil.

Patentes são importantes, ou você acha justo que um conhecimento gerado em uma universidade seja usado por uma indústria (que visa lucro) e nada seja pago por isso? Os royalties de uma patente podem ser usados para suportar novas pesquisas..

A utilidade de artigos publicados é uma questão delicada. Artigos que aparentemente são inúteis hoje pode ser super úteis no futuro, isso depende do atual estágio de conhecimento de um campo. Por exemplo, trabalho com um campo de pesquisa onde uma importante hipótese foi publicada a 30 anos atras. Por mais de 20 anos cientistas acharam que ela era balela, ou seja algo que era tido como inútil é amplamente estudado hoje! E possui aplicações práticas na medicina!
O quanto a formação do aluno os qualifica para o mercado de trabalho, também é um aspecto difícil de se medir..Muitas das vezes uma pessoa formada em X vai trabalhar com Y. Isso depende em que a pessoa se formou, quais são os seu interesses. O mesmo vale para o fato de exercer o que aprenderam..Muitas das vezes campos aparentemente distintos possuem sobreposições. Conheço vários doutores que mudaram de área de pesquisa após formados e isso não quer dizer que foram mal formados, ou que o conhecimento adquirido foi inútil.

Em relação a questão universidade publica vs particular. É claro que há excelentes profissionais formados em particulares, e pessoas ruins formadas em públicas, no entanto passar no vestibular para uma universidade publica é geralmente muito mais difícil. Assim os melhores alunos, na maioria dos vezes, estão nas universidades públicas..

Cotas são complicadas. No meu ver acho que não são tão ruins, pois podem permitir que pessoas sem condições, ingressem em uma universidade pública. No entanto, a maneira como tem sido feita é, ao meu ver, errada. Cotas para negros..como provar que um sujeito é negro? Não existem negros ricos? Acho que os critérios deviam ser revistos. Acho que renda, rendimento no vestibular e durante o ensino médio e local de conclusão do ensino médio (público vs particular) seriam bons critérios para avaliar se um aluno pode ou não entrar para as cotas.

[]'s

Evandro
04/06/2010, 17:44 H
:)

Acho que a discussão vai ser boa! :)

Concordo que o ego é um problema grave na ciência. Eu fui vítima disso, tive um cientista famoso como orientador. Ele era um sujeito bem inteligente mas no final acabei saindo do laboratório - não havia discussão o cara é o dono da verdade. Para mim ciência e discussão devem andar juntas.
É verdade que nos EUA as competição é feroz e que isso tem seu lado ruim - pode gerar stress. Mas também acho que a competição ajuda, não acho que ela tira o foco, pelo contrário acho que ela ajuda. Afinal, o que uma pessoa desfocada publica?

Concordo, mas é complicado você trabalhar com o pensamento de "se eu não publicar eu vou pra rua".


Em relação as publicações e números de alunos. É necessário que haja uma maneira de medir a capacidade do profissional. Imagine que você quer contratar um professor, e há vários candidatos para aquela vaga mas você não conhece nenhum deles. Como você pode avalia-lós? Artigos em jornais revisados por pares, números de alunos, números de revisões de artigos são as melhores maneiras. Não basta ser inteligente, política e contatos também são importantes na ciência.

Ainda acho que isso não avalia integralmente o profissional e talvez só o pesquisador e sua assiduidade, o candidato com mais artigos pode ser aquele que trabalhava de madrugada, não tinha vida social e nem um companheiro(a), e aquele com menos artigos pode ser casado(a) e ter filhos ou ainda precisou trabalhar pra pagar as contas já que não conseguiu bolsa.

E lá vai o chavão: cada caso é um caso. :D

Eu acho errado se contratar professor de acordo com o currículo de pesquisa ou pelo desempenho em uma prova escrita, deixando a didática em segundo plano, mas eu tenho a opinião de que provas nem sempre são a melhor forma de se avaliar um aluno.


Discordo que universidades devem só fazer pesquisa de base. Acho que há espaço para as duas coisas. Por exemplo, é comum nos EUA as pesquisas aplicadas e muitas das vezes um cientista colabora com médicos para desenvolver algo voltado para clinica. Isso falta e muito no Brasil.

Essa é a opinião dele, e eu também acho que ela está parcialmente correta, pois se deixarmos na mão das empresas, tamo f.. e também algumas coisas nunca serão desenvolvidas como, por exemplo, medicamentos para doenças de países pobres.

Aqui eu acho que falta demais este tipo de coisa, temos um potencial enorme nas universidades mas os exemplos de parcerias empresa-universidade são muito escassos.


Patentes são importantes, ou você acha justo que um conhecimento gerado em uma universidade seja usado por uma indústria (que visa lucro) e nada seja pago por isso? Os royalties de uma patente podem ser usados para suportar novas pesquisas..

Concordo, eu também falei a opinião dele, porque atualmente vejo aqui uma onde de "vamos patentear" sem pensar antes no que fazer, assim como artigos, para muitos, o que importa é o número e não a qualidade.


A utilidade de artigos publicados é uma questão delicada. Artigos que aparentemente são inúteis hoje pode ser super úteis no futuro, isso depende do atual estágio de conhecimento de um campo. Por exemplo, trabalho com um campo de pesquisa onde uma importante hipótese foi publicada a 30 anos atras. Por mais de 20 anos cientistas acharam que ela era balela, ou seja algo que era tido como inútil é amplamente estudado hoje! E possui aplicações práticas na medicina!

Bom ponto. :)


O quanto a formação do aluno os qualifica para o mercado de trabalho, também é um aspecto difícil de se medir..Muitas das vezes uma pessoa formada em X vai trabalhar com Y. Isso depende em que a pessoa se formou, quais são os seu interesses. O mesmo vale para o fato de exercer o que aprenderam..Muitas das vezes campos aparentemente distintos possuem sobreposições. Conheço vários doutores que mudaram de área de pesquisa após formados e isso não quer dizer que foram mal formados, ou que o conhecimento adquirido foi inútil.

Não sei quanto aos demais cursos, mas aqui, passei 6 anos ouvindo os professores falarem de IC, pós graduação, artigo, publicações, etc etc.. no último semestre do curso nós somos obrigados a fazer estágio, geralmente em indústria, mas foram raras as disciplinas que nos mostraram um pouco sobre "a vida fora da faculdade" e infelizmente vi muitos colegas e amigos amargarem pra conseguir um bom estágio, mesmo com boa formação.

Tentamos mudar isso mas os docentes dizem que "a faculdade é voltada para a pesquisa", mas de 10 a 20% dos alunos seguem pra este ramo..




Cotas são complicadas. No meu ver acho que não são tão ruins, pois podem permitir que pessoas sem condições, ingressem em uma universidade pública. No entanto, a maneira como tem sido feita é, ao meu ver, errada. Cotas para negros..como provar que um sujeito é negro? Não existem negros ricos? Acho que os critérios deviam ser revistos. Acho que renda, rendimento no vestibular e durante o ensino médio e local de conclusão do ensino médio (público vs particular) seriam bons critérios para avaliar se um aluno pode ou não entrar para as cotas.

[]'s

Não desmerecendo o lado bom da coisa, mas acho que usar cotas é fazer o bolo partindo da cereja e não dos ingredientes na batedeira.
Não adianta muito a pessoa conseguir uma vaga em uma boa universidade se ela não vai ter a base pra caminhar. :(

Robyson
11/06/2010, 02:10 H
...
PS: Peço desculpas a todos pelo meu sumiço, tava atoladaço por aqui.
...
Também estive, mas estou de volta.

Sobre a colocação do Henrique lá no outro tópico, posso discordar um pouquinho?

Bem, passei minha vida escolar em bancos escolares pagos pelos contribuintes, escolas publicas. Sempre tive alguns problemas de saúde, fato este que comprimiram minha frequencia as aulas. Geralmente de 60% a 70% de freqüência apenas. Nunca peguei recuperação, e no ensino médio no ultimo bimestre já estava com média suficiente pra aprovação.

Fiz vestibular, em uma faculdade 'A' em direito (a que tem maior índice de aprovação no exame da OAB de meu estado, SC) e passei em 3º colocado. Acabei não fazendo Direito, mas isso é outra história.

Digo isso não pra inflar meu ego, mas pra dar fatos que provam que ainda há esperança. Tive professores bons e outros nem tanto, mas sempre tive, e graças a Deus ainda tenho, 'gana de auto-superação' em tudo. Ser bom hoje não basta, você precisa ser o melhor. Encontrei meus próprios caminhos pra absorver o que recebia na escola e buscar sempre mais, há uma porção autodidata nisso. Mas a escola foi importante sim.

A meu ver um dos grandes problemas no ensino publico hoje, que contribui pra piora desse é a abolição da reprovação. Esse é um ponto muito negativo, que diminui ainda mais o nível dos 'formados'.

Esse dado dos analfabetos funcionais pode aumentar, triste, muito triste. Estaremos em um pais de alienados. A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, se tornando sua própria negação.

Alienação se refere à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio. Quem ganha com isso? Se não sabe quem é e pra onde quer ir, qualquer lugar serve. Eis uma das explicações para o comodismo, a falta de capacidade de indignar-se, de exigir um Brasil melhor, políticos melhores, uma vida melhor, etc.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objetivar-se, ser fora de si.
E se o homem não consegue ter uma visão básica de si e da sociedade?

Há um multiplicação de forma exponencia do acesso a informação, que é absolutamente inútil para mais de 70% dos brasileiros.

Ps;. A maioria não entenderia o que escrevi, isso é assustador.

Henrique
17/08/2010, 02:50 H
Realmente gostei da discussão, talvez por me preocupar muito com a educação no nosso país. Mas, tentarei ser breve por falta de tempo!

Primeiramente queria comentar um pouco sobre o primeiro post do Lucas Santana dos Santos (bendito nome, literalmente falando). É realmente deprimente constatar como o conhecimento é, a cada dia, mais desvalorizado no Brasil. O saber é a base formadora de uma sociedade (como muito bem constatou o Robyson), é a ferramenta com a qual somos capazes de entender e questionar o mundo e o nosso papel nele. E a desvalorização contínua do saber, gera um efeito bola de neve: Quanto mais desvalorizado, menor o interesse de se tornar um profissional da área voltado ao ensino ou à pesquisa. Isto desprepara e desmotiva alunos. Soma-se a isto o fato de que professores de intituições públicas são concursados e, portanto, tem o emprego "garantido". Portanto, quem realmente se dedica a uma área, ou seja, os reais detentores do saber tendem a buscar outras alternativas, como o próprio Lucas, que foi morar nos EUA. Dessa forma, o ensino só piora.

Ai mora o grande perigo. Não estou querendo julgar a decisão do Lucas, acho que é sim importante nos preocuparmos quanto profissionais a obter a melhor preparação possível. Mas, devemos pensar nas consequencias a longo prazo. Se nós, conscientes dos problemas e munidos das armas necessárias para combatê-los resolvermos "dar as costas" e buscar as facilidades e melhores oportunidades em outros lugares, sem nunca mais olhar para trás, a tendência é a situação piorar a cada dia. Pode estar parecendo um discurso um pouco idealista, eu admito. No entanto, eu acho que se faz necessária ao menos uma reflexão sobre esse ponto. Eu por exemplo, desejo, assim como o Lucas, atingir minhas metas e ambições pessoais mas, em seguida, voltar meus olhos a estas e outras questões e quem sabe ajudar a melhorá-las de algum modo. Creio que o mais importante em ter, é saber o que dar em troca. Poderíamos portanto, contribuir com um contexto melhor para as gerações futuras.

Por último, só ressaltar minha satisfação ao ver uma pessoa como o Robyson. Vencedor, apesar de fazer parte de um contexto aparentemente adverso. Gostei muito da expressão: "gana de auto-superação". Penso que o problema é que isto, infelizmente, não se ensina nas escolas, nem na maioria das famílias. Eu acredito que, o que nos limita de fato é o que nós mesmos colocamos como barreiras em nossas vidas. O desejo intenso em alcançar um objetivo é capaz de superar qualquer obstáculo, desde que estejamos plenamente dispostos a realizar tal tarefa.

Pois é, tentei, mas não consegui ser breve...