Ultra luxo no Brasil

Estive no Brasil na semana passada e me assustei com os preços no Rio de Janeiro, tudo subiu já na expectativa da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Tipo, o prato de comida que costumava comer em um certo restaurante subiu de R$ 30 para R$ 69. Fora toda a parte de especulação imobiliária que está fervendo. Mas isso aí é papo para outra ocasião e para outros tópicos.

O que queria falar aqui é que eu folheei na livraria a última edição da revista VIP, onde eles listam os carrões que são o sonho de consumo de muita gente, tais como Ferrari, Lamborghini, Maseratti, etc. Me chamou a atenção do preço desses carros no Brasil, muito, mas muito, acima do preço nos EUA, mesmo quando computado os pornográficos custos de importação.

Por exemplo, a revista lista a nova Ferrari 458 Italia por R$ 1,5 milhão.

Aqui nos EUA este carro está saindo na faixa de US$ 330 mil. Note que este preço está acima do preço de tabela, por causa da alta procura, como a Ferrari não fabricou em número suficiente, as lojas ou particulares que têm elevaram o preço.

Note também que o preço anunciado de carro nos EUA é sem impostos e tarifas, esses aumentam o preço do carro em até 10%, mas o valor exato vai depender do estado onde você resida, já que o imposto sobre vendas varia de acordo com o estado.

Se fizermos o cálculo para a “pior das hipóteses” temos um carro com valor final de US$ 363 mil, ou R$ 600 mil ao câmbio de R$ 1,65, que é o câmbio que paguei neste mês quando transferi dinheiro do Brasil para os EUA.

Se aplicarmos o custo padrão de 100% para importações, temos um pouco menos de R$ 1,2 milhão. Ou seja. Esse carro no Brasil tá com uma margem de lucro de pelo menos R$ 300 mil. Um pequeno apartamento. Um absurdo. Infelizmente é assim que pensa muito empresário brasileiro. Claro que há o outro lado da moeda, como não há muitos compradores, os custos fixos são mais altos e o importador tem que embutir os custos operacionais em menos unidades vendidas.

Lembrando ainda que o quanto o importador no Brasil paga não é o mesmo que o usuário final nos EUA paga, afinal, ele está comprando diretamente do fabricante. A margem de lucro é, portanto, ainda maior.

Ou seja, o que nos EUA é um carro para classe média vira, no Brasil, um carro para classe média alta. E um carro que nos EUA é para rico, no Brasil vira carro para milhardário.

Apenas uma constatação.

Abraços,
Gabriel.